Preciso de férias, de mim mesma

Minha vida está tão desordenada que sequer tenho mente para escrever aqui, bem que eu tento. Estou esperando, como sempre estive, que a vida, com sua cruel força, passe como um rolo compressor por cima dos meus sonhos. Digam que eu deveria ser otimista, mas digam em coro, porque meus ouvidos não parecem dispostos a entender essas palavras. Mais um pouquinho perdida, [parece que estou sempre mais um pouquinho] e nem sei onde vou parar agora. Estou dançando entre os dias, minha vontade é nem acordar.
Aos desavisados que possam imaginar que eu esteja ainda em depressão, apesar do tom desse texto, acreditem, não estou mais. O Cebrilim tem sido implacável a me segurar, e como vêem, passa o efeito do antidepressivo, vem o “efeito Estela”, o efeito de alguém que está absolutamente insatisfeita com o que se transformou, com o que a vida fez e me faz passar todos os dias. Essa é a pior parte, acordar do antidepressivo e ver que ele não fez nada, que a frustração reina e que tudo ainda parece um imenso quebra-cabeças desmontado, de não sei quantas mil peças.
Por isso eu silencio. Não que eu não tenha o que dizer, mas porque sinceramente não acredito que minhas palavras possam alguma coisa contra a força dos acontecimentos. Continuo patinando, patinando e patinando! Eu devia largar as letras e investir na patinação como profissão, porque é isso que eu mais faço na vida, tentar coisas, não conseguir, não sair do lugar e prosseguir patinando. Isso tudo enquanto a vida passa, porque ela não pára de passar.
Definitivamente, peço a Deus que me responda, já que ele me criou, com que finalidade ele o fez. Não acredito que ele se sinta feliz ao me ver assim, ao acompanhar minha trajetória apática, ao ver meus repetidos insucessos, ao observar o quão doem as coisas em mim. Estou num estágio de “tanto faz” que é perigoso, eu sei o quanto, mas não dá para ser diferente. Meu psiquiatra diz que é normal. Normal até quando eu tiver dinheiro para pagar esse plano de saúde. Sem medicamentos é que as coisas realmente vão ficar muito feias... Quem sabe o que poderá fazer alguém que já não vê mais nada a fazer? Droga de falta de coragem que não me deixa colocar um ponto final nisso tudo! Droga de vida que não alivia minhas confusões e que não dá certo, por mais que eu tente! Ninguém merece viver assim, nem a pior das criaturas. Não sou perfeita mas também não creio que mereça esse descontentamento... Quando tudo vai mudar? Quando alguém vai ouvir minhas súplicas? Por gentileza alguém me diga, porque estou cansada disso tudo.
P.S.: Só verei meu amado psiquiatra, Dr. Willian, no dia 22 de fevereiro, imaginem se eu sobreviverei até lá! Provavelmente isso tudo vai se transformar numa nova visita ao Pronto Atendimento da Saint Roman, à tão querida Emergência que eu tenho visitado com certa regularidade...
Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 19h19
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