O inevitável ritmo de festa

Por mais que alguns sejam avessos a essas comemorações, é praticamente impossível não ser tomado por pelo menos 1% da euforia que move os brasileiros no final de ano. Talvez muitos não tenham grandes realizações a comemorar, eu por exemplo não posso sair bradando alegrias imensas, não vi minha vida resolvida em 2004, vi sim complicações que me fizeram fechar o ano com uma infeliz sensação de mãos atadas. Entretanto, eis aí, em 2005, uma oportunidade nova de mudar o cenário, é nisso que devemos pensar. Pelo menos tenho saúde para correr atrás do prejuízo, ao contrário de muitos que padecem nos hospitais, e que por lá passarão as festividades. As minhas serão ao lado das pessoas que eu amo, que felizmente também gozam de boa saúde e disposição para 2005, minha mãe que anda cada dia mais serelepe, meu irmão que também não tem grandes comemorações, visto que será demitido em fevereiro do seu atual emprego, e minha linda namorada, que também está às voltas com a busca para uma colocação no mercado de trabalho.
Não hão de ser as adversidades que tirarão nosso espírito de comemoração. Muito embora há problemas, temos que levantar as mãos aos céus e pensar nas graças que alcançamos, e entendê-las como infinitamente maiores que os espinhos. Só desta forma é que poderemos comemorar, deixando de lado as tristezas e pensando no que virá, no que de melhor virá para nós nesse novo ano, e com isso conseguir suportar melhor o que nós não estamos de acordo, as possíveis peças que a vida nos prega, as injustiças, as desavenças, os desencontros. Estes sempre estarão entre nós, não pensem que começarão 2006 longe dessas agruras, sempre haverá algo que não aceitaremos, sempre haverá o que nos incomode, mesmo quando tudo parece dentro dos trilhos. E se essas coisas sempre existirão, infelizmente, porque nossa vida não é brancas nuvens [e nem é para isso que viemos aqui] o jeito é aturar, olhando com olhos de quem sabe que o negativo está ali, que sempre estará, mas não deixando que esse lado tome conta de nós, para que tenhamos capacidade de modificá-lo.
Só na serenidade é possível promover mudanças. Ninguém que está apreensivo por demais e ansioso, pode ter a cabeça fria para raciocinar e pensar em soluções plausíveis, muito menos enxergar novos caminhos que se abrem. Não é um exercício fácil, mas é melhor se entregar às alegrias, esquecendo temporariamente o que precisa ser mudado por nós, que passar as comemorações amargando o passado, lamentando pelo que não aconteceu. É com esse espírito que vou para as festas, não totalmente feliz, porque quero a minha vida muito diferente do que ela é hoje em 2004. Quero uma casa minha, quero me casar com a Carla, quero dividir com ela minha vida, queremos um filho. Se será possível? Claro que será! Medo de trabalho eu não tenho, tudo necessita um planejamento meticuloso de futuros gastos, uma vida financeira ainda mais reduzida que hoje, [e olha que eu sou muito econômica, não tenho dívidas, não compro o que não posso pagar] para que eu possa juntar essa grana e realizar esses sonhos que tenho hoje, em 2004. Talvez seja em 2007, ou 8, não interessa quando, o importante é ter um objetivo. E esse eu tenho... E são grandisosos! Deus há de abençoá-los com a sua graça infinita. Não quero colocar próteses de silicone nem comprar um carro do ano, [com todo respeito aos que têm esses objetivos] quero construir uma família, acho que nada pode ser maior que isso.
Aos amigos leitores do meu espaço desejo um Feliz Natal e um lindo 2005, que todos aqui possam encontrar a paz no tratamento do Transtorno Bipolar, que alcancem a tranquilidade que eu alcancei, para que possam renovar suas existências, como estou renovando a minha, agora na companhia da Carla. Só é possível voltar a sonhar quando se encontra a paz para a mente, e essa paz se deve aos nossos médicos, aos gloriosos estudos feitos pelos especialistas em Psiquiatria, aos medicamentos cada vez menos agressivos ao nosso organismo e principalmente, a nossa força de vontade de mudar, de não aceitar viver padecendo, de querer retomar as rédeas de uma situação desencadeada pela enfermidade. Eu, para piorar, ainda sou portadora do vírus HCV, da temida Hepatite C, o que pode abreviar minha existência na terra, a qualquer momento que as enzimas TGO TGP resolvam se manifestar em meu fígado. Talvez por isso eu viva com tanto amor, porque valorizo a vida que tenho, enquanto a tenho, e se você não tem nada disso, nenhuma doença crônica [visitem o site www.hepato.com, para maiores informações sobre a Hepatite C] aproveitem a vida e as festas, assim como eu, que apesar dos tantos pesares, continuo me denominando... uma pessoa feliz.
Boas festas, com as bênçãos de Deus!!!

Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 12h56
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