Mais mudanças!!!

Estela, para as salas de aula do mundo
Enfim cheguei onde eu queria. Ou pelo menos no primeiro degrau da escada. A partir de fevereiro lecionarei em uma escola aqui perto da minha casa, produção textual, claro. Estou um tantinho insegura, mas tão pouco que mal dá para sentir, a vontade de fazer o que eu gosto é maior que o pequenino medo, medo de iniciar uma atividade nova, embora eu já tenha lecionado antes, medo de não dar certo. Também só posso saber se tentar, e como surgiu uma oportunidade, graças à indicação muito gentil da minha melhor amiga Jaqueline, não há porque eu recusar, nessa altura do campeonato.
O dinheiro não é compensador. Aliás, o dinheiro é uma verdadeira piada, para a formação que eu tenho. Só que se eu não começar por baixo, com poucas turmas e pouca grana, não começo nunca, porque os diretores de escola não haverão de querer uma professora sem experiência em carteira, não com tanta gente que já está há anos nesse mercado. A concorrência é grande, a disputa é acirrada, mas não é impossível. Tanto não é que eu estou já dentro do time, graças à Deus. O importante é começar o ano já engatilhado, mesmo que seja ganhando essa merreca que dá vontade de rir, para então ir galgando as coisas devagar, como todo mundo faz.
São 4 turmas do Ensino Fundamental, de 5ª a 8ª séries, que trabalharei numa manhã de segunda-feira, até o fim do ano letivo. Minha tarefa não é nada fácil, aliás, tenho aí um grande desafio: as criaturas não sabem nem o que é parágrafo, que dirá redação. Sei que não vou conseguir milagres, que no fim de um ano talvez eles continuem não produzindo nada, porque esse é um trabalho que não dura só um ano, isso eu já alertei a diretora da escola. Eu não podia chegar dizendo que ia formar Camões, Machados de Assis, se a situação por lá é infinitamente distante dessa realidade, se as dificuldades de construção textual são visíveis e imensas, se eles não têm esse hábito de escrever nada, nem um bilhete sequer. O jeito é começar devagar, com atividades motivadoras e nada de escrita, no início.
Tenho o que comemorar, é uma pequena grande vitória minha. Bem que eu estava prevendo que 2005 seria um ano diferente, e pelo jeito parece que será muito, ao menos para mim. O que dizer para os quase 120 alunos que aguardam de mim instruções para que possam, um dia, escrever? Bom, espero sinceramente que eu consiga passar para eles um pouco do que eu aprendi. E que o nosso convívio seja muito construtivo, porque mais aprende o docente que o aluno... Ensinar é levar amor. E disso, graças à Deus, eu entendo um bocado...
Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 19h59
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