Pequenas coisas [grandes]

da vida...





Tenho frequentemente pensado na minha situação de desemprego, acho que isso é natural, e os fantasmas rondam a mente nesses momentos. Não há como não se sentir insegura, indefesa, sem realizações, quando se está em busca de uma recolocação no mercado de trabalho. Por custa desta procura, tenho ido a toda sorte de entrevistas e dinâmicas sacais, conhecido um monte de gente que nem eu, nas filas, que contam suas peripécias. Eu que venho do meio acadêmico, fico entristecida por ver como as pessoas continuam sem escolarização, como é grande a massa de gente que não tem condições de cursar uma faculdade, por falta de tempo $$$ ou mesmo interesse. Confesso que minha titulação não me trouxe grandes avanços, pelo contrário, tenho sido rejeitada em entrevistas por ter "muito nível" para o cargo, acreditem, não achei que isso fosse acontecer, mas acontece. Mesmo assim não penso em desistir do Mestrado, porque a minha vida de docente exige qualificação contínua, e mais ainda porque eu gosto de estudar, isso é fato, faz parte de mim.

Dinheiro não é o grande problema, pelo menos no momento. Recebi a primeira parcela do meu seguro desemprego, ainda restam mais 4, e ainda tenho algum no banco, para me manter, pagar minhas contas, meu plano de saúde, por causa do psiquiatra, claro, sem ele não fico. O que incomoda é estar parado, é não encontrar um lugar decente para trabalhar. Propostas ruins eu já recebi de monte, já poderia estar trabalhando, se eu as tivesse aceitado. Não que eu esteja escolhendo, minha posição não é das mais privilegiadas nesse quesito, mas tem que haver pelo menos o mínimo indispensável, bom ambiente, possibilidade de ascensão, desafios, e algum dinheiro que valha a pena me fazer sair de casa. Nem quero muito dinheiro não, graças à Deus eu sou muito comedida, não faço dívidas, não compro além do que posso pagar. Só o suficiente para viver com dignidade, comprar meus cds, dar presentinhos para a minha namorada, poder sair, essas coisas.

Aliás, falando nela... tem sido de tanta ajuda! Ter alguém é uma outra situação, faz-nos confiantes e esperançosos no futuro, o amor realmente nos bota para cima. É o que tem sido a Carla para mim, uma alegria eterna, uma força que sai de não sei onde, que quando eu vejo, estou misteriosamente sorrindo do nada... sorrindo das coisas mais sem graça do mundo... sorrindo de boba, da vida... Tenho muitos motivos para sorrir, sinto que agora tenho, não só pela Carla, pelo amor que estou sentindo por ela [esse já seria um motivão!] mas porque eu estou bem, graças à Deus, acho que sou a bipolar desempregada mais satisfeita do mundo... risos... E vou levando a vida como ela vier, um dia depois do outro, Deus há de me abençoar com um trabalho que eu ame, que me deixe tranquila, ele sempre nos reserva grandes surpresas, quando menos esperamos. A fé é que não pode diminuir, nunca, pelo contrário, tem que estar fortalecida. Sou perfeita, tenho relativa saúde, sou inteligente, otimista, sei que posso muitas coisas ainda nessa vida. Nessa mesma vida que tantas vezes eu reneguei, que tantas vezes eu quis acabar... Como as coisas mudam... Quem diria que eu, um dia fosse escrever assim...

E a "Senhorita Deprimida" agora fala de futuro, agora faz planos, agora quer viver. Aquela mesma que estava perdida, que nem os remédios davam jeito na tristeza que era a sua vida, aquela para o qual o Marco olhava e abaixava os olhos, oferecendo os lenços de papel que tantas lágrimas secaram. Parece que ficou mais coisa naqueles lenços de papel... ficou para trás uma vida estranha e desencontrada, para dar lugar a uma, que também está indefinida, mas que salta surpreendente aos olhos, que traz esperança, que traz amor, AMOR... isso sim soa estranhíssimo! Se eu não era capaz de amar nem a mim, nem a vida que é dom de Deus, se tantas vezes atentei contra ela, agora falo em amor...agora falo em doar a minha vida a alguém, doar o que eu mesmo renegava à mim... Prova de que tudo é possível em Deus, prova viva! Aos que estão em dificuldade, inspirem-se nessas linhas... Elas mostram a mudança que um bom tratamento, com medicação adequada, pode fazer à vida dos enfermos, dos que sofrem de transtornos mentais, de qualquer espécie. Acreditem, é possível! Aconteceu comigo.



Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 22h56
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Quem não tem

teto de vidro

que atire

a primeira

pedra!







Estela/inquietude.Tenho 30 anos, moro no Rio de Janeiro, sou professora de Literatura Brasileira, amo a Língua Portuguesa. Ainda não descobri porque estou no mundo, pouco acredito, tudo questiono. Desisto da vida muito rápido, sempre que ela dói. Tenho muitas limitações, e quero ser o melhor possível. Não consigo compreender a crueldade das pessoas. Minhas paixões não têm medida. Abomino grades, necessito criar.



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