Mas eu estava só brincando...

Tenho uma relação muito especial com as brincadeiras. Não que eu seja ranzinza, ou que não tolere gracejos de espécie alguma, mas certos tipos de gracinhas me incomodam. Como sou "fina", jamais vou dizer que fiquei chateada, mas dependendo do que for dito, eu fico. Guardo como num arquivo as palavras que as pessoas me dizem [isso é péssimo...], fico lembrando depois e me perguntando - mas porque será que fulano disse isso - e às vezes as palavras são tão... voláteis... saem sem querer, quando vai se dar conta, puf, já foi. Exatamente por isso é que devemos nos policiar todo o tempo. Palavra dita é coisa que nunca mais se apaga. Pelo menos para a minha mente/arquivo.
Se eu já estou triste, basta uma palavrinha só, minúscula, para desencadear um lastro de coisas ruins em minha mente, esse processo é sempre muito rápido. Claro que eu já aprendi bastante com essas quedas, acho que todo bipolar é escolado nisso, obrigatoriamente, mas ainda me vejo sendo atingida pelas palavras das outras pessoas, sentindo e sofrendo por elas. Certamente eu ouviria conselhos do tipo "não liga", "esquece", mas não sou ainda tão boa nisso, eu ainda continuo "me doendo" por coisas que os outros dizem, que me desagradam. Essa é uma coisa que eu preciso aprender a fazer, separar o que me é dito do que corresponde à realidade. Entender que cada um de nós tem uma opinião e não dar tanta importância aos outros, pensar mais em mim, talvez.
Existem pessoas que são mestres nessa arte, a de criticar, a de julgar outrém. Acho que se a pessoa não tem nada de bom para falar, o silêncio é sempre ouro. Sabe-se lá como está a outra pessoa? Sabe-se lá se ela está prestes a entrar em crise? A entristecer? E por que raios poluir a mente de alguém, com intenções ruins, se a vida por si só já nos traz tantas dificuldades? Por que ajudar a pessoa a entrar num processo depressivo, por exemplo, com energias de baixo astral? Não entendo como existem pessoas que parecem até felizes quando vêem que incomodaram, que causaram situações ruins.
Não que eu me considere magnânima, superior, absoluta. Pelo contrário, não sou nenhuma beldade, nem tão bem sucedida assim que me possa colocar nesse patamar de perfeição, até porque eu não persigo esses ideais. Mas brincadeiras que me desanimem, que me façam sentir menor, inferior, por mais que sejam brincadeiras, são para mim malignas. E aquela velha história de que toda brincadeira tem um fundo de verdade, eu acredito. Ninguém diz nada à toa, por dizer... se brincou, é porque no fundo, bem lá no fundo, a pessoa pode achar que é aquilo mesmo, e diz em forma de brincadeira o que gostaria de dizer, na real. É que brincando fica mais fácil. Só que é bem mais covarde também.
Às vezes dizemos coisas cruéis, tocamos no ponto fraco das pessoas, sem saber, e sem querer, magoamos, deixamos um rastro de tristeza que pode se manifestar sabe-se lá Deus de que forma. Para quem já têm os seus problemas interiores, de aceitação, de inadequação, um comentário engraçadinho pode se transformar num pensamento ruim, que chama outro, que chama outro e outro, porque é assim que as coisas se processam em nós. Quanto cuidado é preciso ter com as palavras. Antes de brincar, é melhor pensar se a brincadeira é realmene saudável, se não vai causar constrangimento, se não vai colocar "minhocas" na cabeça do outro. Ou melhor ainda, trocar as brincadeiras, parar de ficar se escondendo atrás de gracejos e de atacar os outros, dessa maneira disfarçada. Um elogio é tão bom de se fazer! Bom para quem faz, bom para quem recebe... e ainda tem a vantagem de "risco zero" de magoar.
Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 22h27
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