Ilusão,
Ilusão,
veja as coisas como elas são

Eis que se abre sobre nós o maior dos perigos de estar sozinho, desencontrado, desordenado, descompassado. Não bastassem as dores por elas próprias e suas conseqüências que sempre deixam marcas tristes em nossas histórias, a confusão de quem passa por problemas psiquiátricos de qualquer ordem nos joga uma espécie de areia branca da cegueira aguda. Quando nos recuperamos - parcialmente, porque não acredito em recuperação completa - e nos sentimos razoáveis, vemos que perdemos tanto! A capacidade de julgamento, a capacidade de inferir importância. E o que é tolo, fútil, de repente torna-se nosso bem mais precioso, enquanto desprezamos o caminho que devíamos seguir.
Armadilhas que não são exatamente armadilhas. As escolhas que todas as pessoas devem fazer, as mais simples, para nós, alçapões de dúvidas. É difícil entender o que é mais importante, o que é primordial, o que deve ser valorizado, e o que deve ser esquecido. E aí passamos a sugar a vida inteira, não damos conta de tudo e fatalmente somos enganados. Acreditamos no que não deveríamos acreditar. Achamos o caminho da salvação quinze vezes por dia! E esses caminhos eram tortuosos. E dispendemos nosso tempo com ilusões que de repente, como num passe de mágica, passam a fazer total sentido aos nossos olhos cegos de poeira! E nos debandamos rumo a esses objetivos absurdos, achando que eles são tudo o que necessitamos para enfim, respirar em paz.
Acreditamos no que queremos acreditar. Inventamos situações. Criamos pessoas inexistentes e transplantamos essas características perfeitas para pessoas que existem. E imaginando que encontramos, enfim, a companhia ideal, nos apaixonamos por essa pessoa perfeita... que é perfeita aos nossos olhos, mas que infelizmente não corresponde à realidade. E por mais que a vida nos mostre que essa pessoa não é nem de longe o que sonhamos, embarcamos total! Caímos às redes do ilusório com uma facilidade incrível, e rapidez também. Tudo nos emociona, e não é para menos, se trata de um sonho... nos sonhos tudo é idealizado e belo. E não enxergamos a vida que segue, os dias que seguem, pois, presos estamos ao ilusionismo de nossa própria mente inventiva!
Eu me iludi. E essa não foi a primeira vez, nem a segunda, nem a décima quinta. Eu me iludi com as pessoas e com a vida, achava que agora poderia despontar um caminho, mas o caminho era aquele que se desfaz a cada passo dado, aquele que desaparece porque é mágico, porque não está plantado no mundo real, mas sim em nossa mente. É tão fácil para nós querer enxergar as luzes! Pena que olhamos sempre para o lado errado, pena que as luzes, as que realmente devemos procurar, não estão onde procuramos, porque estamos sempre no lugar errado, e as luzes em outro. Tudo que eu queria era um caminho. Uma luz que não apagasse ao abrir de meus olhos, uma luz que estivesse aqui, plantada na terra, e não um produto da mente desesperada à procura de solução!
Onde está a luz?
Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 17h45
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