Transtorno Bipolar e os riscos de suicídio

 


 

Idéias de suicídio sempre povoaram a minha mente, não é de hoje. Recentemente encontrei uma antiga agenda minha, da época adolescente, em que eu escrevia “porque viver se é tão bom morrer”... onde eu já deixava muito clara a minha idéia de não-vida. Mas por que esses pensamentos estão comigo há tanto tempo, de onde eles vieram? E por que as pessoas “normais” jamais pensariam assim, especialmente as que têm apego à existência humana e religiosidade?

 

Em recente leitura a diversos artigos publicados por psiquiatras, fui em busca à resposta de algumas questões internas minhas: no meu caso, o suicídio sempre foi uma coisa que eu entendi como saída, como solução para todos os meus males. Morrer seria uma forma de cessar tudo, acabar com a angústia, com a dificuldade de adaptação ao mundo das pessoas normais, com minhas frustrações particulares. Embora eu me sinta assim, há momentos em que experimento um remorso enorme por sentir tudo isso. A vida, dom de Deus... e quem sou eu para me recusar a vive-la! Isso me faz pensar no quanto eu não evoluí ainda, penso até que sou extremamente ingrata com o Criador por ter essas idéias. Mas será que elas são naturalmente minhas, fazem parte de minha personalidade, ou são fruto da doença?

 

Para os psiquiatras Simpson SG, Jamison KR, pacientes com Transtorno Bipolar não têm definidos em sua mente a idéia de colocar em prática o pensamento suicida. Isso se aplicou perfeitamente a mim, tenho pensamentos suicidas que não são transitórios, são constantes e initerruptos, mas a intenção de fazê-lo eu não tenho delineada completamente, como acontece com os pacientes em crise depressiva, segundo os psiquiatras “o relacionamento entre a ideação suicida e o comentimento do ato ainda não está bem estabelecido no Transtorno Bipolar”. Acredito que no meu caso essa afirmação caiu como uma luva, trouxe algumas respostas. Eu não me identificava totalmente com o paciente em quadro depressivo, que imagina e planeja a sua própria morte, na verdade eu nunca planejei a minha... em dias de altas crises, é claro, você começa a vislumbrar possibilidades, como o dia em que quase saltei da janela do prédio onde eu trabalhava, mas na hora... na hora H eu recuei, tive medo. E também, pensei naquela hora que a morte realmente não era uma saída tão boa assim.

 

Acho que o paciente com Transtorno Bipolar quer continuar sempre. Segundo estes psiquiatras, a taxa de suicídio aproximada, entre os pacientes com THB é 30 vezes maior que na população sadia. Os momentos mais críticos dessas manifestações se dão no início da doença (comigo foi assim!) e nos episódios depressivos entre o quadro maníaco, claro. As mulheres são três vezes mais acometidas de suicídios que os homens, e, geralmente, a tentativa do suicídio partida de um paciente com Transtorno Bipolar tem características especiais: o ato costuma ser presenciado por outras pessoas, ou seja, o paciente faz questão de estar com alguém por perto. Quando não há ninguém, geralmente o paciente faz questão de notificar algumas pessoas através de bilhetes, ou então ele costuma avisar, claramente, que irá cometer o ato, para quem ele mais confie, certamente.

 

O uso de drogas também foi evidenciado como um dos grandes fatores de risco para o suicídio em pacientes bipolares.



Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 12h29
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Outro nada


 Rua que vai para a mesma esquina vã

E o medo que sufoca

Quem saberá do futuro que ainda não veio

Além da dor, que bate à porta?

 

E se transpuser as janelas,
Cordão de lençol, fugida da prisão?

E com as amarras libertas

Tentar ser qualquer coisa muito simples, unicelular

Pó varrido, gelo derretido, uma paixão?

Soluções irriquietas...


 

 Ser outro nada
Qualquer coisa que não precise ter

consciência

responsabilidade

postura

dinheiro

Que não mereça importância

Ou fingida caridade

 

E se no erro vier a resposta

E o corpo pesar, dos lençóis atados à hora morta

Eu respondo, enigmática:

Pule a janela, ainda assim!
Por que esperar abrir a tão pesada porta?

 



Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 22h52
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Quem não tem

teto de vidro

que atire

a primeira

pedra!







Estela/inquietude.Tenho 30 anos, moro no Rio de Janeiro, sou professora de Literatura Brasileira, amo a Língua Portuguesa. Ainda não descobri porque estou no mundo, pouco acredito, tudo questiono. Desisto da vida muito rápido, sempre que ela dói. Tenho muitas limitações, e quero ser o melhor possível. Não consigo compreender a crueldade das pessoas. Minhas paixões não têm medida. Abomino grades, necessito criar.



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