post sem título, vida sem rumo

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às vezes triste e muito cansada triste e cansada às vezes cansada triste, às vezes muito cansada e triste às vezes
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des estimulada des estruturada des norteada des controlada des figurada des ordenada des motivada
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e se eu fosse embora quanta dor seria evitada podiam parar os dias se pelo menos houvesse uma forma de zerar a contagem eu experimentaria escrava de mim, que vida Carbonato de Lítio 450 mg Risperidona 1 mg e o tédio
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in constante in dissolúvel in capaz in termitente in consolável in satisfação in terminável
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eu só quero a liberdade da não-vida.
Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 20h26
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Sai da frente que eu quero ir pra casa...

Supermercado. Eu tinha que ir ao supermercado. Mera ação costumeira, pequenas tarefas que temos que desempenhar para viver, que nem sempre podem ser deixadas para o dia seguinte. E esse era um daqueles dias em que tudo acabou dentro da geladeira, e você tem que sair para escolher os alimentos, andar, olhar prateleiras, enfrentar uma fila no caixa para pagar. Simples? Simples para quem?
Dentro de mim a imensa vontade de recusar a tudo. Quisera eu um canto, uma coberta, um sofá, qualquer coisa que me permitisse estancar, tudo menos colocar o pé na rua. A claridade, o ônibus que demora 5 minutos que parecem 20, as pessoas falando, as vozes, o corre-corre, risadas. Olho em volta e vejo que esse mundo de pessoas estranhas é também estranho à mim, já que dele não compartilho, encerrada em minhas próprias deficiências. E começo a pensar que estou mesmo em desalinho, se já não posso fazer as coisas como as outras pessoas, se tudo é difícil, se encontrar moedas é difícil, se colocar as compras dentro das sacolas é uma coisa que eu tenho que fazer devagar, porque a agilidade jaz perdida nos meus tempos idos. E vem o pensamento de descobrir que mundo é esse o meu, já que não é o mundo das pessoas todas.
Procuro prestar atenção nas coisas. Observar as prateleiras e encontrar o que eu preciso ali disposto. O supermercado é grande, passo muitas vezes pelos mesmos lugares até perceber que ali estava a massa de tomate, e que a massa de tomate estava na minha listinha de compras. As duas últimas coisas eu não encontrei, leite condensado e côco ralado. Dei uma trégua à mim, que se dane o recheio do bolo que eu estava planejando, faço outro, uso o que eu tiver em casa, boto chocolate, boto creme de leite, pronto. A irritação já era tanta que me recusei a terminar de comprar, para não ficar ali andando, para pagar logo e ir correndo para casa. Que maldita sensação de ser obrigada a fazer o que não se quer. E que maldita sensação de ter que fazer alguma coisa quando não se quer fazer nada.
Sacolas na mão, ponto de ônibus, lágrimas rolando. O mundo está rodando ou é impressão minha? E aí as pessoas parecem mais estranhas ainda, grandes bonecos de plástico com perninhas, num ir e vir totalmente desconexo e cansativo, uma repetição de visões que me dá um aperto por dentro... eu não quero fazer parte dessas repetições todas, não. Nem quero ser obrigada a viver normalmente se a normalidade já não faz parte do meu dicionário. Nem quero depender de outras pessoas para fazer as coisas mais banais do mundo simplesmente... porque eu não consigo. Parece difícil recobrar aquela calma antiga, de ir ao supermercado e me comportar normalmente, sem o pânico, sem a angústia, sem a pressa que me acompanha sempre. Tenho pressa de voltar para casa, porque não quero sair de casa! Nem quero ter que fazer nada! Mas a vida... ah, a vida... parece que sempre está esperando que façamos alguma droga de coisa!
Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 17h19
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