L i m i t a ç õ e s ?

O que nos difere e nos faz menos resistentes às dores? Por que alguns suportam tranqüilamente o que para nós parece um imenso fardo? Por que a nossa capacidade de adeqüação é tão miúda, mínima? E a sempre presente sensação de não pertencer ao mundo de pessoas produtivas, ágeis, decididas, ligadas? De onde vem?

As dificuldades: se fossem elas a causa de nossos problemas, todas as pessoas que têm dificuldades seriam pacientes psiquiátricos, mas não, somente alguns poucos de nós. A miséria: claro que as condições sub humanas levam alguém a pensamentos desesperadores, mas muitos de nós não somos exatamente miseráveis, felizmente. Eu tenho teto. Eu tenho alimento. E ainda assim, tenho problemas... As dores: se fossem elas as causas dos males psíquicos, então 99% da humanidade já estaria num manicômio. O ser humano experimenta a dor todo o tempo, como experimenta o amor, a inveja, a felicidade. As limitações: conviver com a nossa capacidade limitada, frente à outras pessoas que desempenham muito bem determinadas tarefas é realmente perturbador, principalmente quando almejamos algo que não conseguimos realizar. Mas acontece que muitas pessoas também não realizam seus sonhos e nem por isso tomam Risperidona. Eu tomo. A angústia: a angústia também faz parte dos sentimentos experimentados pela natureza humana, é comum em determinados momentos da vida. Por que alguns vagueiam pelos seus domínios e retornam à normalidade? Por que outros vagueiam pela angústia e nela vivem, tanto que chegam a esquecer o que é viver na normalidade? O medo: outro sentimento perfeitamente absorvido pelos seres humanos. Alguns vivem sua polaridade racional, têm medo do que é real, do que realmente oferece perigo. Eu tenho medo de escadas rolantes, elas sempre parecem que vão me sugar.

Às vezes penso que fui escolhida para viver todos esses desconcertos. Que Deus a seu modo quis colocar-me eternamente com uma faca no pescoço para que eu mostrasse a ele o quanto poderia ser lutadora, forte, imbatível. E que mesmo diante dessas adversidades tantas, Estela feita de rocha. E que mesmo diante dessas tristezas todas, Estela inventando a felicidade. E que mesmo diante da angústia, Estela fingindo que está bem! E que mesmo diante do medo, Estela não sucumbirá. Com tantas pessoas no mundo, sou eu a escolhida, a felizarda que faz parte desse grupo seleto de consumidores de barbitúricos, os desajustados, desarranjados, desconxabidos, desalinhados, desordenados.
Como eu queria estar fora desse grupo. Como eu queria retomar minha vida lá atrás, quando eu era feliz e não sabia. Quanta diferença... Hoje não sou feliz, e sei que não sou.
Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 03h23
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O preconceito dentro do programa "A diarista"

Sobretudo em nossa tv aberta, a não-qualidade misturada à necessidade de audiência e de propagandistas quase sempre exagerados dão como resultado uma programação não necessariamente útil. Em alguns casos, entretanto, foge-se ao limite do plenamente aceitável, embora esse conceito seja altamente relativo, o que nos "obriga" a conviver com enganações diárias e jogos de marketing, transformando os pobres espectadores em meros marionetes do ibope. Não é novidade esse assunto em minhas pautas diárias, sinto-me uma particular revindicadora de alguma coisa que preste na tv, porque tem se tornado cada dia mais difícil conseguir engolir o que tentam nos empurrar goela abaixo.
Esse post trata especificamente do programa "A diarista", veiculado na Rede Bobo de Televisão. O humor caricato, e aparentemente despretenciso, chama minha atenção pela quantidade de preconceitos que ele estimula, principalmente na grande massa popular. As pitadas de preconceito têm ação devastadora, porque não são claramente perceptíveis pelo espectador. Humor é sempre bem-vindo, claro. O grande problema reside na maneira em que a produção do programa trabalha as mensagens incutidas nessas piadas "ingênuas".
Recentemente o referido programa foi alvo de protestos e processos pela exibição de um episódio que apresentava a homossexual feminina com todos os piores estereótipos, repetindo os trejeitos e comportamentos que hoje em dia, sabe-se não mais corresponderem à totalidade das homossexuais femininos e minando todo o esforço que essa minoria discriminada tem tentado para modificar o pensamento da sociedade com relação a essas questões. E essa luta, dos homossexuais, não é para que todos achem bonitinho não, mas para que tenhamos os mesmos direitos, já que todos pagamos os mesmos impostos, ou seja, plenamente justa. Aí vem a Rede Globo e mostra um "sapatão" daqueles, com todo direito à ridicularização, difundindo ainda mais o preconceito na cabeça das pessoas.
Queria muito estar errada, mas o programa desta semana será passado dentro de um manicômio. Infelizmente não consigo imaginar diferente, acho que a Rede Globo vai rotular o doente mental da pior forma possível, novamente na difusão de preconceitos dos mais cruéis, ainda mais para os que sofrem desses males. Ainda estou pensando se eu vou realmente assistir, sei que eu vou me irritar profundamente com as piadinhas, até porque eu não acho que se possa fazer piada com alguém que tem problema mental. Mas a Rede Globo acha que pode, aliás, acha que pode tudo. Até quando vamos concordar?
Bipolarmente deixado por Estela Carvalho às 13h05
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